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Porque os Semáforos Falham?

 

semaforo

 

Quem anda pelas ruas de qualquer cidade grande brasileira percebe a alta taxa de falhas dos semáforos de trânsito. Principalmente depois das chuvas. Esta situação denuncia a baixa qualidade destes equipamentos e certamente projeto deficiente. As soluções não são caras e poderíamos ter equipamentos de alta durabilidade, mas o certo é que vemos semáforos novos que apresentam problema uma semana após a instalação! Vale também para radares de velocidade e outros tantos equipamentos instalados em via pública.

Agora, esta situação da baixa qualidade é facilmente identificável, bastando verificar o histórico de cada fornecedor. Mas parece que vista grossa é feita e a baixa qualidade continua. Como o Brasil quer ter tecnologias avançadas se nem um semáforo consegue manter aceso?

Vale a pena desenvolver eletrônica no Brasil?

Todo aquele que trabalha com desenvolvimento de eletrônica no Brasil já deve ter sido questionado se não é mais fácil trazer a solução pronta do exterior.  O fato é que a eletrônica virou uma espécie de “commoditie” e certamente você encontrará solução pronta para praticamente tudo que pensar em desenvolver. Como muitas vezes estas soluções já são produzidas em larga escala, principalmente circuitos mais simples, muitas vezes trazer a solução pronta acaba sendo muito competitivo, se comparado com desenvolvimento local. Além disto, desenvolver localmente sempre traz a necessidade de desenvolvimento tecnológico, o que muitas vezes demanda uma atividade contínua e demorada. O que queremos dizer é que um produto de sucesso deve estar em constante aprimoramento se quiser ter vida longa.  Quando se desenvolve uma nova solução, dificilmente a primeira versão é perfeita e a melhor que podemos implementar. Ao longo da vida do produto normalmente detectamos características que podem ser melhoradas, incrementando o desempenho ou reduzindo custos.

No Brasil encontramos muitas pessoas que querem iniciar um novo empreendimento na área eletrônica. A questão é: vale a pena?

Em nossa opinião, para responder a esta pergunta temos que analisar alguns pontos:

1) O produto vai vender? Como em qualquer ramo altamente competitivo, o sucesso depende diretamente da nossa capacidade de destaque frente à concorrência. No passado era comum desenvolver pequenos circuitos, principalmente para entretenimento ( luzes rítmicas, pequenos amplificadores, circuitos para modelismo etc) e conseguir vender um número até interessante de unidades. Mas como disse acima, a eletrônica virou uma espécie de “commoditie”, e hoje, ao pensar em um produto, basta uma consulta rápida na internet para descobrir que muitos já vendem algo semelhante e com preço muito competitivo. Quanto mais simples o produto que você idealizar, mais dura é esta realidade. E tem a situação contrária, ou seja, você pensa em um produto mais sofisticado, procura na internet e vê que não tem muita concorrência, mas tem a grande dúvida se vai vender. O que fazer? Primeiro temos que ter certeza que nosso novo produto tem demanda. Ou seja, não adianta pensar em algo que ninguém quer. Muitas vezes a ideia é perfeita para nós mas o mercado, que é quem compra, pensa diferente. Então o primeiro passo é verificar se o que queremos desenvolver tem demanda. Quanto à concorrência, quanto mais simples o produto, mais acirrada é a concorrência (incluindo ai a que vem de fora).

2) Temos capacidade para desenvolver o produto? Esta é outra questão importante. Desenvolver não é apenas conseguir um protótipo que funcione mais ou menos. Nós temos que dominar o produto. Pegar aquele esquema pronto na internet e montar um protótipo e a partir dele iniciar a produção é bem arriscado. Você tem de pensar que seu novo produto será utilizado por pessoas e ambientes não previstos por você, o que pode significar um alto nível de falhas e reclamações. Se queremos colocar algo no mercado, temos que dominar todas as etapas deste o desenvolvimento até a fabricação. Já presenciei situações em que empresas até bem estruturadas vendiam soluções aqui no Brasil importadas como “black box”. Ai bastava mudar alguma coisa no mercado local e o produto parava de funcionar. Na área de acessórios automotivos isto é bem comum em função da sofisticação crescente dos automóveis. Então, ao selecionar seu novo produto, tenha certeza que tem domínio completo sobre ele.

3) Porque desenvolver no Brasil? A primeira resposta óbvia a esta questão vem do item 2 acima. Se desenvolvermos localmente teremos maior controle sobre o produto. Mas se optarmos por desenvolver temos que fazer o melhor produto possível, em função do item 1 citado acima. Nós que trabalhamos com eletrônica (ou qualquer outra área), seja como hobby ou numa grande empresa temos que ter em mente que se sempre escolhermos o caminha mais fácil e tentar encontrar o produto pronto, estaremos exportando vagas de trabalho. Esta questão já é visível se compararmos com os países economicamente e tecnologicamente semelhantes a nós. A China, por exemplo, está se especializando no desenvolvimento de todo tipo de produto, indo de pequenos circuitos a carros. Depois de um grande esforço feito por anos, hoje eles colhem o fruto deste trabalho e têm uma das mais fortes indústrias do planeta. O Brasil por sua vez está mergulhando numa crise sem precedentes na área industrial e boa parte dos problemas é a falta de desenvolvimento tecnológico própria. O desenvolvimento eletrônico no Brasil está desaparecendo, uma vez que estamos quase sempre optando por importar soluções prontas.

 

A Crise Econômica

Estamos vivendo uma crise econômica no Brasil. Porque, após anos de aparente estabilidade, os dias atuais nos fazem lembrar dos tempos de instabilidade econômica que achávamos ter deixado para trás?

O Brasil, se comparado a outros países de mesmo porte econômico, tem uma característica preocupante. Nós não investimos no desenvolvimento de uma base tecnológica própria, sobre a qual possamos ter total controle. A Coréia do Sul, por exemplo, iniciou sua indústria automobilística praticamente na mesma época que o Brasil e seguindo uma trajetória semelhante, com a atração de multinacionais  do setor automotivo. Porém, na década de 70, século passado, ela deu uma guinada no rumo da indústria automobilística local, iniciando o desenvolvimento completo de um modelo totalmente nacional, comercializado pela Hunday. Depois de anos aprendendo a projetar e construir carros, a Hunday atingiu um grau de excelência tal, que hoje é sucesso no mundo todo, tendo inclusive um de seus modelos considerado o “Carro do Ano” no altamente competitivo mercado americano.

Este esforço em desenvolver uma solução própria, visto aqui no Brasil muitas vezes como “reinventar a roda”, trás hoje grandes benefícios à Coreia, que tem um produto exportado com sucesso para o mundo todo e trazendo volume considerável de divisas para o pais.

Nós, seguindo uma trajetória diferente, optamos pela cômoda situação de deixar nas mãos das montadoras instaladas a decisão de que rumo seguir. Estas optaram por priorizar o mercado interno e desenvolveram modelos adequados a este mercado emergente. Estes modelos são mais simples e não têm condições de competir em mercados mais desenvolvidos como o europeu e americano. Além disto nosso processo produtivo é caro e o já conhecido custo Brasil piora as coisas, não permitindo nem que estes modelos tenham sucesso em outros mercados emergentes. As poucas exportações brasileiras na área automotiva são obtidas em função de acordos bilaterais como o que temos com a Argentina ou México. é de certa forma uma condição artificial que permite a exportação dos veículos, sem levar em conta a real condição deles de competir nos mercados alvo.

Esta situação de não desenvolver tecnologia própria se repete em muitas outras áreas, como a espacial, microeletrônica, entretenimento, médica, a de equipamentos para indústria etc.

Nós técnicos, engenheiros e pesquisadores perdemos grandes oportunidades por não termos iniciativa e coragem de mudar o rumo tecnológico do Brasil. A velha afirmação de que não temos recursos e somos um pais pobre não cola mais. Enquanto nos acomodamos e não nos mexemos, estas oportunidades são aproveitadas por outros países como China, a própria Coréia, Japão, EUA etc.

Ai reclamamos que a economia vai mal….

 

 

A Ilusão Brasileira

Recentemente a revista Nature publicou um ranking onde coloca o Brasil nas últimas posições quando o assunto é eficiência no uso de verbas (publicas e privadas) para pesquisas. Estamos em 50º, entre 53 avaliados.

Não precisa nem dizer o quanto isto é preocupante e de certa forma explica as dificuldades de nossa indústria que não consegue inovar e competir no mercado externo.

Esta situação é antiga e não basta colocar a culpa no governo. No Brasil acostumou-se com esta situação cômoda de distribuição das verbas, sem tomar-se o cuidado com a qualidade dos trabalhos obtidos. É notório que incrementamos muito o número de papers publicados mas é notório também (mundialmente) a baixa relevância de muitos destes trabalhos.

Observa-se esta situação nas indústrias, principalmente nas nacionais, onde o desenvolvimento de novos produtos muitas vezes é realizado de forma desfocada sem os necessários estudos anteriores de mercado e de tecnologias.

Com a redução da demanda de commodities brasileiras, principalmente por parte da China, não estamos mais naquela condição de 2008, tão comemorada e alardeada pelo governo e empresários, onde ousamos até querer ensinar aos países desenvolvidos qual era a nova ordem econômica mundial. Eram os tempos do “esse é o cara!”. Tempos de pura miopia do governo e dos empresários que não aproveitaram o bom momento para investir seriamente em desenvolvimento tecnológico, preferindo continuar a importar soluções.

O resultado é esse ai. Assim, precisamos nos conscientizar que se queremos continuar a ser um país com grandes pretensões, passou da hora de arregaçarmos as mangas e a começar a “fazer o dever de casa”. Isso vale para o governos mas principalmente para mim e para você que trabalha com desenvolvimento tecnológico.

 

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A Onda dos Robôs

 

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Já a cerca de 2 décadas vivemos uma revolução silenciosa. A revolução dos Robôs. É certo que estas máquinas já são utilizadas amplamente na indústria para a realização da tarefas repetitivas ou que exijam grande precisão. Já fazem diagnósticos em hospitais e pesquisa no espaço. Mas a revolução que estamos vivendo é mais profunda. Os robôs agora estão mais próximos de nós desempenhando tarefas comuns. Estão entrado em nossas casas e ajudando nas tarefas domésticas. Carros automatizados dirigem para nós, partes de nosso corpo estão sendo robotizadas, e por ai vai. Para chegar a este ponto, os centros mais desenvolvidos já empenharam anos de pesquisa e desenvolvimento em mecânica, eletrônica e software. Este é mais um exemplo de onde de inovação. O celular, por exemplo é outro exemplo de onda de inovação.

A revolução dos Robôs vai ditar o crescimento da indústria de ponta assim como o celular dita o caminho da fase atual. Da noite para o dia o celular criou e destruiu marcas poderosas. O Robô vai fazer o mesmo. O mercado é imenso, assim que conseguirmos baratear e popularizar o Robô de atividades cotidianas.

Sem querer ser pessimista, está é mais uma onda que não vamos surfar ou seremos apenas consumidores e coadjuvantes. Como não fazemos pesquisa de ponta, estamos sempre na rabeira das inovações do primeiro mundo. Aí só nos resta vender muito minério para comprar algumas máquinas destas…

 

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O Problema dos Componentes Falsificados

A 15 anos atrás quando comprávamos componentes eletrônicos a possibilidade de recebermos lotes falsificados era muito remota. Atualmente esta situação mudou. Passou a ser relativamente comum receber componentes falsificados, que não atendem as especificações dos fabricantes tradicionais e muitas vezes sequer funcionam. Esta situação e mais grave quando se compra direto das lojas que não fazem qualquer controle de qualidade do que recebem, ou seja a maioria delas. Uma alternativa é comprar de distribuidores com origem de componentes certificada. Mas infelizmente estes muitas vezes trabalham com lotes mínimos e normalmente são mais caros.

O problema afeta diretamente a todos que atuam com eletrônica e é bem grave. Como não se espera um desempenho fora das especificações para o componente, o que acontece na prática é acharmos que o problema está no projeto. Assim é comum gastar horas e horas tentando ajustar o projeto até concluirmos que o problema está realmente com o componente. Uma outra situação grave é quando temos um produto em linha totalmente estável e, ao mudar o lote de algum componente, simplesmente a qualidade “desanda”. Se o produto chegar ao cliente os prejuízos, financeiros e de imagem, são inevitáveis.

Nós do eletronPi já trabalhamos com projetos a muito tempo e vivenciamos estas duas fases: aquela onde podíamos confiar nos componentes e a atual, onde já não é mais possível confiar.

A falsificação afeta principalmente componentes mais simples mas com algum valor agregado, como transistores, circuitos integrados etc. Circuitos mais sofisticados, como microcontroladores, como são mais difíceis de fabricar, ainda são pouco afetados pelas falsificações, mas não estão imunes. A falsificação de memórias, por exemplo, acontece com frequência, principalmente com o surgimento dos pendrivers e popularização destes componentes.

A solução é relativamente simples: você que compra componentes com regularidade, passe a comprar de fontes confiáveis. Quando receber algum componente com problema, denuncie. Os lojistas devem comprar apenas de fontes confiáveis, mesmo que implique num pequeno aumento de preço. Deixe claro para seu cliente que só compra componentes certificados que certamente ele vai preferir comprar de você.

Recentemente compramos na Santa Ifigênia em São Paulo, 5 unidades do transistor MJE13007. Este transistor é do tipo NPN. As unidades recebidas eram PNP e uma delas sequer tinha os terminais ligados internamente à pastilha de silício. É muita cara de pau…..

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Nós encaminhamos as unidades para o fabricante que teve seu produto falsificado e notificamos a loja onde os componentes foram comprados.

 

O Potencial Brasileiro

Estamos perto da Copa e é muito difícil prever o que acontecerá nestes próximos dias. Uma coisa é certa: o brasileiro não é mais a massa acomodada de anos atrás. Aliada a esta nova face brasileira (e mundial) está a tecnologia, principalmente a internet e as redes sociais. O poder transformador destas tecnologias ficou muito claro nos protestos do ano passado e os dirigentes do país não podem mais fechar os olhos para esta nova realidade. Em outubro teremos as primeiras eleições após as ondas de protestos e após a Copa, alvo de muitas críticas. Tomara que estas eleições representem uma melhora de qualidade de nossa classe política. Querer uma melhora radical é utopia mas se melhorarmos um pouco, este pouco já representará um avanço.

Uma coisa boa é perceber que o Brasil é realmente um pais diferente. Um dirigente da Fifa já declarou que foi um “inferno” trabalhar com o Brasil. O lado da desorganização é péssimo mesmo mas tem o lado bom. A Copa tem um pouco mais cara de Brasil e um pouco menos cara de Fifa. O evento, quer queiramos ou não, está sendo fiel à nossa realidade. E isto vai ficar escancarado para o mundo. O Brasil é pouco adepto a protocolos, rotinas, diretrizes. Pode ser a oportunidade de começarmos a mostrar ao mundo que temos o nosso jeito de fazer as coisas.

A Copa vai sair. Será um grande evento. Mas não será a vitrine de momentos perfeitos preconizada pela Fifa. E isto é bom.

Desenvolvimento Eletrônico no Brasil

A eletrônica inegavelmente revolucionou a sociedade humana. De 1900 até os dias atuais passaram-se pouco mais de 100 anos e o “boom” de desenvolvimento tecnológico é surpreendente. Os primeiros componentes ativos surgiram logo após Thomas Edson inventar a lâmpada e a eletrônica passou a se desenvolver rapidamente a partir da Primeira Guerra Mundial

 

 

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Vários países participaram efetivamente dos primeiros passos da eletrônica, destacando-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, entre outros. Estes países, percebendo a importância da nova tecnologia, investiram pesado no desenvolvimento da eletrônica. Quem dominou este processo foi os EUA após a invenção do transistor, no final da década de 40, colhendo grande vantagem competitiva em relação a praticamente todos os outros centros de pesquisa e desenvolvimento do mundo.

O Brasil, para variar, por falta de visão daqueles que deveriam planejar o futuro do pais, perdeu este bonde e até hoje não achou. Nós não dominamos os processos de fabricação de componentes eletrônicos e só recentemente temos uma planta fabril capaz de fabricar alguns tipos de componentes.

Esta culpa não está apenas no governo mas também naqueles que trabalham com eletrônica e que sempre preferiram achar uma desculpa a enfrentar o desafio de desenvolver a eletrônica no Brasil. As dificuldades vão da produção de componentes eletrônicos ao projeto de circuitos e equipamentos. Somos totalmente dependentes de importação quando se trata de equipamentos de ultima geração, causando o já famoso deficit da balança comercial na área eletrônica.

Mas não é somente o desequilíbrio da balança que preocupa quando se fala de desenvolvimento eletrônico no Brasil. Mais grave é a dependência tecnológica externa. Recentemente assistimos aos episódios de espionagem que atingiram praticamente todo o mundo. O governo esbravejou, reclamou mas o que fazer quando todo equipamento eletrônico que se usa na comunicação foi desenvolvido lá fora e todo tráfego, protocolo, linhas físicas etc passam pelos equipamentos de quem foi acusado de espionar?

Até hoje não fomos capazes de desenvolver um satélite próprio. Neste que está sendo desenvolvido em parceria com a China, temos maior participação na integração e testes, o que significa montar e ver se vai aguentar as condições severas do lançamento e depois do espaço.

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Depois de perder o bonde, recuperá-lo significa correr mais do que os outros. E sabemos que isto não será fácil. Mas nós que trabalhamos com eletrônica temos que “mudar a chave”. Se você tem algum poder de decisão, trabalhe sempre com a meta de desenvolver tecnologia no Brasil. Se você tem voz ativa e é um formador de opinião, trabalhe para mudar esta mentalidade atrasada e acomodada que toma conta do Brasil. E você, que trabalha com desenvolvimento eletrônico, saia da condição de conforto e prefira o trabalho desafiador a comprar a solução pronta da China.

 

Equipe eletronPi

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