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A Ilusão Brasileira

Recentemente a revista Nature publicou um ranking onde coloca o Brasil nas últimas posições quando o assunto é eficiência no uso de verbas (publicas e privadas) para pesquisas. Estamos em 50º, entre 53 avaliados.

Não precisa nem dizer o quanto isto é preocupante e de certa forma explica as dificuldades de nossa indústria que não consegue inovar e competir no mercado externo.

Esta situação é antiga e não basta colocar a culpa no governo. No Brasil acostumou-se com esta situação cômoda de distribuição das verbas, sem tomar-se o cuidado com a qualidade dos trabalhos obtidos. É notório que incrementamos muito o número de papers publicados mas é notório também (mundialmente) a baixa relevância de muitos destes trabalhos.

Observa-se esta situação nas indústrias, principalmente nas nacionais, onde o desenvolvimento de novos produtos muitas vezes é realizado de forma desfocada sem os necessários estudos anteriores de mercado e de tecnologias.

Com a redução da demanda de commodities brasileiras, principalmente por parte da China, não estamos mais naquela condição de 2008, tão comemorada e alardeada pelo governo e empresários, onde ousamos até querer ensinar aos países desenvolvidos qual era a nova ordem econômica mundial. Eram os tempos do “esse é o cara!”. Tempos de pura miopia do governo e dos empresários que não aproveitaram o bom momento para investir seriamente em desenvolvimento tecnológico, preferindo continuar a importar soluções.

O resultado é esse ai. Assim, precisamos nos conscientizar que se queremos continuar a ser um país com grandes pretensões, passou da hora de arregaçarmos as mangas e a começar a “fazer o dever de casa”. Isso vale para o governos mas principalmente para mim e para você que trabalha com desenvolvimento tecnológico.

 

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O Potencial Brasileiro

Estamos perto da Copa e é muito difícil prever o que acontecerá nestes próximos dias. Uma coisa é certa: o brasileiro não é mais a massa acomodada de anos atrás. Aliada a esta nova face brasileira (e mundial) está a tecnologia, principalmente a internet e as redes sociais. O poder transformador destas tecnologias ficou muito claro nos protestos do ano passado e os dirigentes do país não podem mais fechar os olhos para esta nova realidade. Em outubro teremos as primeiras eleições após as ondas de protestos e após a Copa, alvo de muitas críticas. Tomara que estas eleições representem uma melhora de qualidade de nossa classe política. Querer uma melhora radical é utopia mas se melhorarmos um pouco, este pouco já representará um avanço.

Uma coisa boa é perceber que o Brasil é realmente um pais diferente. Um dirigente da Fifa já declarou que foi um “inferno” trabalhar com o Brasil. O lado da desorganização é péssimo mesmo mas tem o lado bom. A Copa tem um pouco mais cara de Brasil e um pouco menos cara de Fifa. O evento, quer queiramos ou não, está sendo fiel à nossa realidade. E isto vai ficar escancarado para o mundo. O Brasil é pouco adepto a protocolos, rotinas, diretrizes. Pode ser a oportunidade de começarmos a mostrar ao mundo que temos o nosso jeito de fazer as coisas.

A Copa vai sair. Será um grande evento. Mas não será a vitrine de momentos perfeitos preconizada pela Fifa. E isto é bom.

Desenvolvimento Eletrônico no Brasil

A eletrônica inegavelmente revolucionou a sociedade humana. De 1900 até os dias atuais passaram-se pouco mais de 100 anos e o “boom” de desenvolvimento tecnológico é surpreendente. Os primeiros componentes ativos surgiram logo após Thomas Edson inventar a lâmpada e a eletrônica passou a se desenvolver rapidamente a partir da Primeira Guerra Mundial

 

 

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Vários países participaram efetivamente dos primeiros passos da eletrônica, destacando-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, entre outros. Estes países, percebendo a importância da nova tecnologia, investiram pesado no desenvolvimento da eletrônica. Quem dominou este processo foi os EUA após a invenção do transistor, no final da década de 40, colhendo grande vantagem competitiva em relação a praticamente todos os outros centros de pesquisa e desenvolvimento do mundo.

O Brasil, para variar, por falta de visão daqueles que deveriam planejar o futuro do pais, perdeu este bonde e até hoje não achou. Nós não dominamos os processos de fabricação de componentes eletrônicos e só recentemente temos uma planta fabril capaz de fabricar alguns tipos de componentes.

Esta culpa não está apenas no governo mas também naqueles que trabalham com eletrônica e que sempre preferiram achar uma desculpa a enfrentar o desafio de desenvolver a eletrônica no Brasil. As dificuldades vão da produção de componentes eletrônicos ao projeto de circuitos e equipamentos. Somos totalmente dependentes de importação quando se trata de equipamentos de ultima geração, causando o já famoso deficit da balança comercial na área eletrônica.

Mas não é somente o desequilíbrio da balança que preocupa quando se fala de desenvolvimento eletrônico no Brasil. Mais grave é a dependência tecnológica externa. Recentemente assistimos aos episódios de espionagem que atingiram praticamente todo o mundo. O governo esbravejou, reclamou mas o que fazer quando todo equipamento eletrônico que se usa na comunicação foi desenvolvido lá fora e todo tráfego, protocolo, linhas físicas etc passam pelos equipamentos de quem foi acusado de espionar?

Até hoje não fomos capazes de desenvolver um satélite próprio. Neste que está sendo desenvolvido em parceria com a China, temos maior participação na integração e testes, o que significa montar e ver se vai aguentar as condições severas do lançamento e depois do espaço.

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Depois de perder o bonde, recuperá-lo significa correr mais do que os outros. E sabemos que isto não será fácil. Mas nós que trabalhamos com eletrônica temos que “mudar a chave”. Se você tem algum poder de decisão, trabalhe sempre com a meta de desenvolver tecnologia no Brasil. Se você tem voz ativa e é um formador de opinião, trabalhe para mudar esta mentalidade atrasada e acomodada que toma conta do Brasil. E você, que trabalha com desenvolvimento eletrônico, saia da condição de conforto e prefira o trabalho desafiador a comprar a solução pronta da China.

 

Equipe eletronPi