Desenvolvimento Eletrônico no Brasil

A eletrônica inegavelmente revolucionou a sociedade humana. De 1900 até os dias atuais passaram-se pouco mais de 100 anos e o “boom” de desenvolvimento tecnológico é surpreendente. Os primeiros componentes ativos surgiram logo após Thomas Edson inventar a lâmpada e a eletrônica passou a se desenvolver rapidamente a partir da Primeira Guerra Mundial

 

 

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Vários países participaram efetivamente dos primeiros passos da eletrônica, destacando-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, entre outros. Estes países, percebendo a importância da nova tecnologia, investiram pesado no desenvolvimento da eletrônica. Quem dominou este processo foi os EUA após a invenção do transistor, no final da década de 40, colhendo grande vantagem competitiva em relação a praticamente todos os outros centros de pesquisa e desenvolvimento do mundo.

O Brasil, para variar, por falta de visão daqueles que deveriam planejar o futuro do pais, perdeu este bonde e até hoje não achou. Nós não dominamos os processos de fabricação de componentes eletrônicos e só recentemente temos uma planta fabril capaz de fabricar alguns tipos de componentes.

Esta culpa não está apenas no governo mas também naqueles que trabalham com eletrônica e que sempre preferiram achar uma desculpa a enfrentar o desafio de desenvolver a eletrônica no Brasil. As dificuldades vão da produção de componentes eletrônicos ao projeto de circuitos e equipamentos. Somos totalmente dependentes de importação quando se trata de equipamentos de ultima geração, causando o já famoso deficit da balança comercial na área eletrônica.

Mas não é somente o desequilíbrio da balança que preocupa quando se fala de desenvolvimento eletrônico no Brasil. Mais grave é a dependência tecnológica externa. Recentemente assistimos aos episódios de espionagem que atingiram praticamente todo o mundo. O governo esbravejou, reclamou mas o que fazer quando todo equipamento eletrônico que se usa na comunicação foi desenvolvido lá fora e todo tráfego, protocolo, linhas físicas etc passam pelos equipamentos de quem foi acusado de espionar?

Até hoje não fomos capazes de desenvolver um satélite próprio. Neste que está sendo desenvolvido em parceria com a China, temos maior participação na integração e testes, o que significa montar e ver se vai aguentar as condições severas do lançamento e depois do espaço.

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Depois de perder o bonde, recuperá-lo significa correr mais do que os outros. E sabemos que isto não será fácil. Mas nós que trabalhamos com eletrônica temos que “mudar a chave”. Se você tem algum poder de decisão, trabalhe sempre com a meta de desenvolver tecnologia no Brasil. Se você tem voz ativa e é um formador de opinião, trabalhe para mudar esta mentalidade atrasada e acomodada que toma conta do Brasil. E você, que trabalha com desenvolvimento eletrônico, saia da condição de conforto e prefira o trabalho desafiador a comprar a solução pronta da China.

 

Equipe eletronPi

6 ideias sobre “Desenvolvimento Eletrônico no Brasil

    1. eletronPi

      Que bom Henrique,

      Nós precisamos de pessoas motivadas no Brasil. Na eletrônica, em particular, faltam os “doidos” dispostos a encarar os desafios e desenvolver trabalhos realmente de importância para o país. Tornou-se muito fácil a importação de soluções prontas. Nos centros desenvolvidos (e já pode incluir a China ai) os profissionais chamam para si a responsabilidade de desenvolver novos produtos e tecnologias. Gostaria muito de ver esta mentalidade por aqui.

      Responder
    1. eletronPi Autor do post

      O Brasil já tem uma fábrica de pequeno porte na região sul e está construindo outra em Minas Gerais. Veja Aqui .

      Esta de Minas está orçada em cerca de R$ 1 bilhão.

      O problema é que praticamente toda tecnologia é importada. A iniciativa é muito importante para o Brasil, já que abre a perspectiva de investimentos na área. Mas enquanto o Brasil e sua comunidade de técnicos, engenheiros e pesquisadores não entender que a tecnologia é desenvolvida por eles,continuaremos dependente destas tecnologias importadas, com todas as consequências que isto trás, inclusive de soberania.

      Microeletrônica e processos de fabricação já estão sendo desenvolvidos a mais de 40 anos. O Brasil pesquisa, pesquisa e nunca chega a algo prático, nesta e em outras áreas.

      Nós perdemos oportunidades enormes de gerar empregos de qualidade por aqui, e acabamos transferindo estes empregos para o exterior. China, Coréia e Índia já perceberam a muito tempo que investimento em tecnologia é super importante para o país.

      Paulo Schaefer

      Responder

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