A Crise Econômica

Estamos vivendo uma crise econômica no Brasil. Porque, após anos de aparente estabilidade, os dias atuais nos fazem lembrar dos tempos de instabilidade econômica que achávamos ter deixado para trás?

O Brasil, se comparado a outros países de mesmo porte econômico, tem uma característica preocupante. Nós não investimos no desenvolvimento de uma base tecnológica própria, sobre a qual possamos ter total controle. A Coréia do Sul, por exemplo, iniciou sua indústria automobilística praticamente na mesma época que o Brasil e seguindo uma trajetória semelhante, com a atração de multinacionais  do setor automotivo. Porém, na década de 70, século passado, ela deu uma guinada no rumo da indústria automobilística local, iniciando o desenvolvimento completo de um modelo totalmente nacional, comercializado pela Hunday. Depois de anos aprendendo a projetar e construir carros, a Hunday atingiu um grau de excelência tal, que hoje é sucesso no mundo todo, tendo inclusive um de seus modelos considerado o “Carro do Ano” no altamente competitivo mercado americano.

Este esforço em desenvolver uma solução própria, visto aqui no Brasil muitas vezes como “reinventar a roda”, trás hoje grandes benefícios à Coreia, que tem um produto exportado com sucesso para o mundo todo e trazendo volume considerável de divisas para o pais.

Nós, seguindo uma trajetória diferente, optamos pela cômoda situação de deixar nas mãos das montadoras instaladas a decisão de que rumo seguir. Estas optaram por priorizar o mercado interno e desenvolveram modelos adequados a este mercado emergente. Estes modelos são mais simples e não têm condições de competir em mercados mais desenvolvidos como o europeu e americano. Além disto nosso processo produtivo é caro e o já conhecido custo Brasil piora as coisas, não permitindo nem que estes modelos tenham sucesso em outros mercados emergentes. As poucas exportações brasileiras na área automotiva são obtidas em função de acordos bilaterais como o que temos com a Argentina ou México. é de certa forma uma condição artificial que permite a exportação dos veículos, sem levar em conta a real condição deles de competir nos mercados alvo.

Esta situação de não desenvolver tecnologia própria se repete em muitas outras áreas, como a espacial, microeletrônica, entretenimento, médica, a de equipamentos para indústria etc.

Nós técnicos, engenheiros e pesquisadores perdemos grandes oportunidades por não termos iniciativa e coragem de mudar o rumo tecnológico do Brasil. A velha afirmação de que não temos recursos e somos um pais pobre não cola mais. Enquanto nos acomodamos e não nos mexemos, estas oportunidades são aproveitadas por outros países como China, a própria Coréia, Japão, EUA etc.

Ai reclamamos que a economia vai mal….

 

 

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